A integração entre os cuidados de saúde primários, os agentes comunitários e as organizações da sociedade civil foi apresentada como uma das principais respostas para acelerar a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil em Moçambique durante o Fórum Internacional sobre Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna e Infantil. O encontro, realizado de 10 a 12 de Junho, em Maputo, reuniu especialistas, parceiros de desenvolvimento e representantes comunitários para discutir soluções concretas para os grupos vulneráveis que vivem em zonas remotas.
Os debates evidenciaram que, embora o país tenha registado progressos importantes nas últimas décadas, persistem desafios estruturais relacionados com o acesso geográfico, a disponibilidade de recursos humanos, a continuidade dos cuidados e a articulação entre as unidades sanitárias e as comunidades localizadas em zonas de difícil.
Face a estes desafios, a PLASOC-M apresentou modelos que já demonstram resultados positivos, como brigadas móveis integradas, fortalecimento da ligação entre Agentes Polivalentes de Saúde e actores comunitários, monitoria liderada pela comunidade e participação activa dos comités de saúde. Estas abordagens, segundo a representante da PLASOC-M, Eládia Madau, permitem ampliar a vacinação, melhorar o seguimento de grávidas, reduzir abandonos terapêuticos e reforçar a confiança das comunidades nos serviços públicos.

A PLASOC-M apresentou, também, a sua experiência na implementação da Monitoria Liderada pela Comunidade (MLC), que permitiu identificar milhares de barreiras ao acesso aos serviços e resolver uma parte significativa delas através do diálogo entre comunidades, unidades sanitárias e autoridades locais. Igualmente, foram apresentados exemplos concretos de melhorias de infraestruturas, transporte sanitário e condições de atendimento alcançadas por meio da advocacia comunitária.
Os participantes alertam que a sustentabilidade financeira continua a representar um dos maiores desafios, sendo que a interrupção temporária de alguns financiamentos internacionais evidenciou a vulnerabilidade dos programas comunitários e reforçou a necessidade de maior investimento público e de mecanismos de financiamento previsíveis.
Como recomendações, o Fórum defendeu maior coordenação entre Governo, parceiros e sociedade civil, expansão das intervenções comunitárias, fortalecimento da cadeia de abastecimento de medicamentos, institucionalização dos actores comunitários e integração multissectorial para enfrentar os determinantes sociais da saúde.
Ao encerrar o painel, os participantes convergiram na mensagem de que nenhuma estratégia será suficiente sem colocar as comunidades no centro das políticas públicas. A aproximação dos serviços às populações mais vulneráveis foi apresentada como condição indispensável para que Moçambique alcance a Cobertura Universal de Saúde e as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.