PLASOC-M no workshop regional sobre simplificação dos serviços de HIV e melhoria das políticas nacionais

A Plataforma da Sociedade Civil para Saúde em Moçambique (PLASOC-M) participou, de 26 a 28 de Outubro, em Joanesburgo, África do Sul, num workshop organizado pela International AIDS Society (IAS), subordinado ao tema “Simplificando a Prestação de Serviços de HIV: Da Evidência à Política Nacional”.

O encontro reuniu representantes de Moçambique, Malawi e Zâmbia, com o objectivo de promover a reflexão e a partilha de experiências sobre oportunidades de melhoria das políticas nacionais relacionadas com a prestação de serviços de HIV. A PLASOC-M esteve representada pelo seu membro do Conselho de Direcção, Adérito Tenhane.

A iniciativa procurou reforçar a utilização de evidências para sustentar mudanças nas políticas públicas, contribuindo para serviços de saúde mais acessíveis, eficientes e centrados nas necessidades das pessoas que vivem com HIV.

Durante os trabalhos, foram identificadas três áreas prioritárias para a transformação das políticas nacionais: a implementação de consultas clínicas anuais para pessoas em tratamento anti-retroviral (TARV), apoiadas por modelos de acompanhamento com intervalos de vários meses; a definição do momento adequado para a primeira medição da carga viral e da frequência da sua monitoria; e a adopção de estratégias diferenciadas para o reengajamento de pessoas que interromperam o tratamento.

Um dos principais pontos de reflexão foi a necessidade de rever os modelos de prestação de serviços, de modo a reduzir deslocações desnecessárias às unidades sanitárias para as pessoas cuja condição clínica permite um acompanhamento menos frequente. Para além de contribuir para a redução da pressão sobre os serviços de saúde, esta abordagem pode facilitar a continuidade do tratamento, diminuir os custos suportados pelos utentes e melhorar a sua qualidade de vida.

As experiências partilhadas por representantes do Uganda, Quénia e Essuatíni reforçaram a importância da adopção de modelos diferenciados de prestação de serviços, ajustados às necessidades clínicas e sociais das pessoas em tratamento. Estas abordagens podem igualmente contribuir para reduzir a exposição ao estigma e à discriminação associados às visitas frequentes às unidades sanitárias.

Outro aspecto destacado foi a necessidade de assegurar um atendimento digno, acolhedor e livre de julgamentos às pessoas que regressam aos cuidados de saúde depois de uma interrupção do tratamento. O reengajamento deve ser encarado como uma oportunidade de recuperar o vínculo com os serviços, compreender as dificuldades enfrentadas e facilitar a retoma do tratamento, e não como motivo para censura ou discriminação.

No decurso do workshop, a equipa da International AIDS Society manifestou o seu compromisso de apoiar a sociedade civil moçambicana, através da disponibilização de evidências e de mentoria para fortalecer a capacidade de advocacia em diferentes espaços de diálogo e influência política.