No âmbito da parceria entre a PLASOC-M e o CCS, com financiamento do Fundo Global, de 02 a 15 de Dezembro, a PLASOC-M, capacitou 65 Comités de Saúde em matérias de Monitoria Liderada pela Comunidade (MLC), (FG).
A capacitação envolveu 1495 membros dos Comités de Saúde de 9 províncias, sendo Maputo Cidade (20), Maputo Província (121), Gaza (208), Inhambane (154), Sofala (157), Manica (171), Zambézia (239), Nampula (206) e Tete (219). Para além da abrangência geográfica, o processo contou com forte envolvimento das mulheres, líderes tradicionais e religiosos e provedores de saúde das Unidades Sanitárias e SDSMAS.
A intervenção visava doptar os membros dos Comités de Saúde de competências teóricas e práticas em MLC, Direitos Humanos e Cidadania em Saúde, com enfoque nos serviços de HIV e TB, sendo de destacar: utilização das ferramentas de auscultação comunitária para identificação de barreiras de acesso aos serviços de saúde; domínio da Carta dos direitos e deveres dos utentes; planos de acção comunitários orientados para a resolução de barreiras locais identificadas; e a articulação entre comunidade, unidades Sanitárias e SDSMAS, promovendo uma abordagem colaborativa na melhoria da qualidade dos serviços.
Para a Coordenadora de Programas da PLASOC-M, Eládia Madau, a acção constituiu um avanço estruturante no fortalecimento da participação comunitária e na promoção da qualidade dos serviços de HIV e TB em Moçambique, destacando a participação da mulher e criação de uma massa crítica comunitária capacitada, informada sobre os seus direitos e deveres, e apta a actuar de forma organizada na auscultação dos utentes e na identificação de barreiras aos serviços de saúde.
“Os resultados alcançados demonstram um elevado nível de apropriação da MLC pelos comités, com destaque para o reforço da literacia em saúde e direitos humanos, a melhoria do diálogo entre comunidades e Unidades Sanitárias e o posicionamento dos Comités de Saúde como parte integrante do Sistema Nacional de Saúde. A relevante participação da mulher e o envolvimento de líderes comunitários reforçam o potencial transformador da intervenção, particularmente na redução do estigma, discriminação ena promoção de uma cidadania activa e inclusiva” – referiu Madau.
Num olhar sobre o quotidiano da implementação da MLC, Eládia Madau, reconheceu a persistência de desafios transversais que condicionam a sua operacionalização plena e sustentável, tais como: barreiras socio-culturais e institucionais, limitações logísticas e operacionais, fragilidades técnicas na literacia de dados, desafios sociais ligados às expectativas de incentivos e às dinâmicas de género. Contudo, a Coordenadora, considera, ainda, que estes desafios não anulam os resultados alcançados, mas “sublinham a necessidade de acções complementares para consolidar os ganhos obtidos”.
